Aula 22

20May, 2007

Sumário: visionamento crítico do filme «Manobras na Casa Branca»; um «spin doctor» de ficção

Notas críticas sobre o filme “WAG the DOG” (MANOBRAS NA CASA BRANCA)

 

Sinopse da história:

Assessores do presidente dos EUA sabem que o jornal Washington Post “de amanhã” vai publicar uma notícia envolvendo o presidente e uma jovem que este levou para a “Sala oval” da Casa Branca (referências directas a Bill Clinton…); a jovem acusa-o de assédio sexual! Faltam 11 dias para as eleições e o presidente recandidata-se! Ao saber disto, o presidente manda chamar Conrad Brean, especialista em “manobras de diversão”; este e o produtor de Hollywood (Stanley Motss) vão criar uma ficção – ao pormenor – que vai distrair a comunicação social, as eleições e o outro candidato…

Frases e ideias de CB e do produtor SM:

CB : (sobre o escândalo e as acusações da rapariga) “não interessa se é verdade”

CB: presidente tem de ficar mais um dia na China, digam que ele adoeceu

CB: inventa uma hipotética referência a um novo bombardeiro, que não existe; a ideia é fazer constar mas nunca dizer que não existe (ou que existe…)…

CB: “inventar uma crise”…

CB: vai ser preciso realizar uma conferência de imprensa (inventar)

CB: é preciso distraí-los 11 dias; “estou a trabalhar nisso”…

CB: depois de 240 soldados americanos terem morrido em Beirute, o antigo presidente Reagan decidiu invadir Granada…

CB: “não vai haver guerra mas a essência da guerra” (“appearance”)

CB: peça ao portavoz para fazer um comunicado a negar a Albânia (que ele próprio inventou…)

CB: portavoz mente e fala do estado de saúde (já o escândalo foi revelado)

CB: “guerra é show business”

CB: o povo ou o público têm de saber? “A verdade não interessa”

Produtor: “é um teaser…” - a partir das primeiras “manobras de diversão”, os jornais passaram o escândalo para as páginas interiores e puseram a guerra na primeira

CB: “vamos entrar em guerra com a Albânia daqui a 30 minutos”

CB: “O senador Neal descobriu alguma coisa? Isso não me importa, temos uma guerra”

- as imagens são passadas à imprensa/televisões e logo transmitidas

- inventam a cena da chegada do presidente (encenação), até a chuva…

A CIA: “não há nenhuma guerra”;

CB: “mas eu vejo-a na TV!”

CB: “o senador rival acabou com a guerra?! Ele não pode acabar com a guerra, só acaba quando eu disser”

CB: é “um caso sórdido”

Produtor: “isto é política ao melhor nível” - elaboram o discurso que o presidente vai ler

Produtor: “não me divertia tanto desde o directo da TV”

CB: “isto é como ser canalizador”

- inventam uma música, que mandam arquivar na Biblioteca no Congresso com uma data falsa e que passam para a comunicação social, com a ideia de que já existia e foi agora “descoberta”

- inventam tudo, até a moda de atirar velhos sapatos para árvores e postes, em homenagem ao pseudo-soldado desaparecido na Albânia (old shoe) CNN dá a notícia do soldado desaparecido… Produtor: “não há nada como o show business”

CB: dita as notas de imprensa, coordena a chegada do soldado preso

CB: afirma-se um perito em nunca revelar nada

CB: manda matar o produtor, quando percebe que este não se consegue calar com os resultados (SM quer os créditos/mérito…); a imprensa diz que o produtor morreu de ataque cardíaco…

- o presidente é um produto de publicidade…

- a única vez que há uma preocupação com a lei ou com o que a imprensa pode descobrir é quando têm um acidente e são recolhidos por um imigrante ilegal (que nem inglês fala); é imediatamente legalizado… (é sarcástico, como é que esta é a única preocupação a sério…)

Notas finais:

Trata-se de uma PARÓDIA/RIDICULARIZAÇÂO, uma vez que seria impossível a comunicação social nada descobrir. E havia tantas pontas soltas (até o acidente de avião), nomeadamente o facto de nada se passar na Albânia (qualquer jornalista no local, e iriam jornalistas para o local, perceberia isso); mas demonstra:

- como a comunicação social é manipulada com alguma facilidade e “come” as coisas que lhe dão, muitas vezes sem qualquer atenção;

- como há quem, num gabinete com um telefone (e devidos meios), possa controlar tudo, os “spin doctors”, expressão que não aparece;

- o SD é alguém que leva a sério todas as implicações da função (ao contrário do produtor, que não se aguenta…), desde a discrição (até na roupa que veste) ao silêncio; mas também é, logo na primeira fala, apresentando como “Mr. Resolve Tudo”…

- mentir é o que mais fazem os assessores neste filme;

- a política joga-se na comunicação social, como marketing e publicidade (mas é evidente o desprezo pela publicidade/propaganda eleitoral clássica…)

- é o cúmulo da manipulação

- o presidente nunca aparece! Porquê? Não é preciso, é instrumental, é marginal ao processo, é quase irrelevante… Ou seja, um SD manda até no Presidente – é essa a mensagem!

 

Ficha do filme:

Título original: “Wag the dog”

Título em Português: “Manobras na Casa Branca”

Realizador: Barry Levinson

Duração: 93 minutos

Baseado no livro “American Hero”, de Larry Beynhart

Direitos em Portugal: PRÍSVIDEO

Distribuição EUA: New Line Cinema (TWC)

Ano: 1998

Objectivo para os alunos: em que é que Conrad Brean pode ser comparado com os três conselheiros de Ieltsin?

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