Aula 13

21January, 2007

Sumário: avaliação (periódica e indicativa) do trabalho dos alunos através dos blogues

Algumas notas sobre as faltas (excluindo os alunos que são trabalhadores-estudantes; informação actualizada já com a última aula):

Alunos com nove faltas: Alina

Alunos com oito faltas: Daniela, Carla, Rui Gomes

Alunos com sete faltas: Marco

Alunos que não deram informação sobre o seu blogue: Bruno, Rui Gomes, Rute (e dois alunos que estão matriculados, mas que nunca me foram apresentados, Ana Isabel Valente/TE e Tiago Marques)

Alunos sem textos nos seus blogues: Marco, Rita, Mário, Michel, Tânia, Ema e Nuno

Na aula nº 5 foi divulgada uma data para avaliação: 24 de Janeiro. Ou seja, os alunos que pretendam ter avaliação (indicativa) do seu trabalho terão de colocar os seus textos on line até essa data; na aula farei uma avaliação genérica sobre cada blogue, à data de hoje (ou seja, antes desse prazo). Essa avaliação será complementada posteriormente com uma análise mais detalhada do trabalho até dia 24.

Um dez corresponderá, teoricamente, ao total de textos (ou aproximado), com respostab aos objectivos, mas pouco desenvolvimento e raras citações/ligações

Aproveito para lembrar que continuo a colocar comentários nos vossos textos, mas que alguns não têm sido lidos; por outro lado, há cada vez mais «spam» na caixa de comentários, o que podem e devem evitar intervindo nos «settings» dos comentários.

Notas gerais:

- dificuldade em muitos alunos de responderem aos objectivos (sobretudo nas aulas 3 e 4)

- em muitos casos há texto desnecessário, texto que pouco mais faz do que reproduzir o meu

- só cinco alunos têm (nesta altura) mais do que cinco textos

Aula 12

14January, 2007

Sumário: Correcções metodológicas relativamente aos blogues dos alunos; critérios de avaliação

(esta aula, como a próxima, NÃO dará origem a texto por parte dos alunos)

Sobre as faltas:

de acordo com o Regulamento Pedagógico, cada aluno pode faltar até 1/3 do total de aulas dado em cada disciplina. A previsão é de 22/23 aulas. O que significa que sete faltas será o máximo que devem ter em conta nesta altura.

Como manda o Regulamento estou a fazer o registo das faltas. Os que superarem esse número (feito com base numa previsão do número de aulas que pode não se confirmar), não sendo trabalhadores-estudantes, terão de fazer o exame em Julho, sendo que nesse caso o trabalho do blogue não terá avaliação. Estou disponível para informar os alunos das faltas já dadas até ao momento, sendo que já há vários com sete e oito faltas.

Sobre os blogues:

1) Tenho percebido alguma dificuldade por parte dos alunos em se focarem no que é pedido: o que é pedido, como objectivo, não é um resumo da aula. A aula - que está on line neste blogue - é a contextualização do objectivo; o que é pedido é algo muito mais concreto (e, muitas vezes, simples).

2) Apesar de várias insistências da minha parte, percebe-se que muitos alunos não leram (ou não leram devidamente) as regras de funcionamento interno. Alguns dos erros cometidos até agora não apareceriam se elas tivessem sido assimiladas;

3) Apesar de termos 22 alunos matriculados, há apenas 14 ou 15 blogues. E desses, muitos estão em branco (quatro ou cinco). Ou seja, há muitos alunos que estão a deixar para o fim a colocação dos textos. Como sempre disse, é um direito (uma vez que a avaliação da próxima semana é indicativa). Mas compreenderão que não posso, três ou quatro meses depois das aulas começarem, a corrigir erros que li nos textos dos blogues que surgiram em Outubro e Novembro.

4) A minha intervenção na fase inicial, junto dos blogues, é de correcção/sugestão de questões metodológicas. Citações, ligações, incoerências, etc. Não faço apreciações sobre conteúdos; esses só na avaliação

5) Tenho feito dezenas de comentários a notas que merecem ser refeitas. Mas compreenderão que não faz sentido estar sempre a repetir o mesmo comentário (mesmo assim, o das citações, já foi feito uma dezena de vezes, e às vezes duas vezes no mesmo blogue); a ideia é que os comentários sirvam colectivamente (para melhorar o trabalho de todos);

6) Os blogues deste ano estão, genericamente, muito mais pobres no que diz respeito à convocação de contributos externos do que os do ano passado, por exemplo. Há menos links e de menos qualidade; também há menos citações bibliográficas; e há, em consequência, mais opinião não fundamentada;

7) Pela primeira vez apareceram, entre os blogues, situações de plágio (claro ou simulado) que envergonham os seus autores; penso que todos temos - pelo menos a nível filosófico - a mesma ideia do plágio, pelo que, tentando ser ao mesmo tempo construtivo, não os podemos admitir. Em vez de tomar posições radicais, como porventura se impunha, foram dadas oportunidades aos alunos de refazerem as situações

Sobre a avaliação:

- A da próxima semana, embora vá ser afixada, é indicativa. Segue, contudo, os mesmos critérios da final. Esses critérios estão definidos no programa (a actualização e manutenção regular da página (40%); a capacidade de estabelecer novas ligações com matérias relevantes (30%); o aprofundamento das matérias (30%)) e serão explicados novamente. Como se pode ver, «a actualização e manutenção regular da página» é o critério mais valorizado, o que significa que os alunos que deixarem tudo para o final terão mais dificuldades;

- Na avaliação da próxima aula irei considerar um universo de 9 textos possiveis (nove aulas: da 3 à 11, inclusive) que deveriam estar on line.

Aula 11

7January, 2007

Sumário: Ética e deontologia na assessoria de imprensa (a verdade da mentira)

 

- quanto mais ambiciosa for a entidade representada/iniciativa menos inocente é o contacto; QUESTÃO CENTRAL: Será que o jornalista se apercebe que cada vez mais o assessor que lhe telefona ou lhe envia um documento o está (ou pode estar) a manipular? Será que o jornalista tem a consciência que é interveniente num processo de facturação, de vendas, de campanhas promocionais

 

1) A grande questão é que à medida que as estratégias de comunicação são mais complexas também são mais subtis, mais dissimuladas; para que o jornalista não perceba e não aumente as defesas (não desconfie); ora – voltando ao princípio – quanto mais dissimulada precisar de ser uma campanha, mais subtil, mais precisa desde o início da intervenção dos assessores na sua definição, logo na origem! Assiste-se portanto a uma dupla complexificação: campanhas mais agressivas, mais ambiciosas, com voos mais altos (com mais instrumentos, mais persuasão); mas ao mesmo tempo mais subtis, mais suaves (os jornalistas, por regra, recusam-se a participar quando percebem ou quando acham que estão a fazer parte de uma campanha, de uma estratégia comercial/promocional); é fundamental que não percebam…

 

2) MENTIRA: uma relação assessor-jornalista se faz assente em determinados princípios, um dos quais é a credibilidade/honestidade da relação (outro é haver informação, se não é inútil); a mentira é uma solução de curto-prazo… Um assessor que mente regularmente é um assessor que tem deixar de o ser, porque ninguém acredita nele (então também é mau para a empresa, tem de arranjar outro…)

 

3) O que fazer quando não se pode dizer a verdade? GRANDE DILEMA; se se diz que há qualquer coisa mas não se pode dizer (honesto) está a indiciar-se que há problema e a convidar o jornalista a investigar, mas mentir é muito pior; mais vale pedir algum tempo, tentar negociar com ele, tentar uma relação de confiança, OUTROS TENTAM NÃO RESPONDER (evitam os jornalistas, ganham tempo, fogem); a omissão é tão grave quanto não dizer a verdade? A mentira resulta da conjugação de vários factores, como o estatuto precário do assessor, o seu envolvimento na estratégia e a necessidade de convencer os jornalistas;

 

4) Códigos de ética: há um código de ética na APECOM (para as empresas associadas) mas que não é controlado, não há um exercício legal da profissão (uma ordem ou um conselho deontológico) que possa penalizar e zelar pelo cumprimento; não há onde apresentar uma queixa… cada um impõe a si próprio um código e um conjunto de regras mas não há um escrutínio exterior do seu comportamento profissional (não estão sujeitos a valores como verdade, transparência, equidade e igualdade);

 

Uma citação:

O hábito desagradável de mentir em política é uma característica dos regimes democráticos (e outros). A convicção dos políticos de que metade da política é imaginação e a outra metade é a arte de levar as pessoas a acreditarem em fantasias, sejam quais forem «os factos», é extravagante; a velha máxima de que só poderemos entender os políticos se lhes olharmos para os pés e não para a boca continua a ser verdadeira. O hábito de mentir é em parte uma herança do início do período moderno.” KEANE, John, A Democracia e os Media, Temas e Debates, Lisboa, 1991, pág. 105

5) Formas de pressionar/convencer os jornalistas (legitimas e ilegítimas) (232; TSF)

- com boas campanhas de comunicação (com informações que tenham valor mediático), bons eventos, boas acções de marketing;

- pela utilização de argumentos de «sedução» (exclusivos, contactos privilegiados, viagens, prendas; chantagem com a concorrência)

- pela via financeira (corrupção); este acaba sempre por ser um mau caminho (comprar um apenas, um em cada, e se este falha ou é substituído na redacção; dá nas vistas? E se o próprio denuncia; como se chega a um jornalista corrupto; quanto custo? Sabe-se?) A corrupção dos jornalistas faz parte da mitologia dos empreendedores: famosa frase de Bernard Tapie (para quê comprar um jornal quando se pode comprar um jornalista?”) ou aquele político brasileiro que disse: não dês notícias a um jornalista que quer dinheiro nem dinheiro a um jornalista que quer notícias…

 

6) Como lidar com isto? em face da impunidade, espírito crítico e independente, duvidar, testar; quem mente uma mente duas, confirmar… enquanto não houver um sistema mais correcto de funcionamento… Mas será que o jornalista já se apercebeu que cada vez mais o assessor que lhe telefona ou lhe envia um documento o está (ou pode estar) a manipular? Será que o jornalista tem a consciência que é interveniente num processo de facturação, de vendas, de campanhas promocionais (aumentando a atenção e redobrando as defesas) ou continua apenas a pensar que o mais importante é obter aquela notícia em primeira mão??? Se pensa assim vai correr mal…

 

7) Jornalistas têm de se habituar a um novo tipo de raciocínio: quem lhes liga, chame-se o que se chamar, não é o inocente, funcionário ou colaborar, que pretende que ver publicadas umas notícias; quem lhes liga é um agente participativo numa estratégia concertada, nada inocente portanto, que está envolvido em várias fases do processo;

 

8) A grande questão é que à medida que as estratégias de comunicação são mais complexas também são mais subtis, mais dissimuladas; para que o jornalista não perceba e não aumente as defesas (não desconfie); ora – voltando ao princípio – quanto mais dissimulada precisar de ser uma campanha, mais subtil, mais precisa desde o início da intervenção dos assessores na sua definição, logo na origem!

 

9) Assiste-se portanto a uma dupla complexificação: campanhas mais agressivas, mais ambiciosas, com voos mais altos (com mais instrumentos, mais persuasão); mas ao mesmo tempo mais subtis, mais suaves (os jornalistas, por regra, recusam-se a participar quando percebem ou quando acham que estão a fazer parte de uma campanha, de uma estratégia comercial/promocional); é fundamental que não percebam…

 

10) Para os jornalistas é fundamental ter a capacidade de manter uma atitude crítica, de publicar ou não, de dar mais ou menos destaque, de dizer bem ou dizer mal, de procurar outro ângulo. SER INDEPENDENTE E CRÍTICO (e desconfiar sempre dos assessores ou do que estes lhe propõem, sem que isso signifique recusar)…

 

Objectivos para os alunos: partindo desta constatação («apenas 28 por cento das notícias das secções de política são resultado de iniciativa dos jornalistas»), e da matéria da aula, pode concluir-se que os jornalistas estão «na mão» das fontes?

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