Aula 7
Sumário: A assessoria de imprensa
Desenvolvimento:
Das diversas áreas/ferramentas das relações públicas, a assessoria de imprensa é a mais conhecida.
Basicamente, trata-se de intermediar a relação entre protagonista e jornalista; esse intermediário é o assessor de imprensa.
O assessor é uma fonte directa de informação, se de alguma forma puder ser citado, ou indirecta, se nos remeter para outras fontes (o protagonista que representa, por exemplo)
Como em todas as actividades das relações públicas, a assessoria de imprensa pode ter outras designações (assessor/ia mediático/a; adido de imprensa no caso das embaixadas; assessor de comunicação, etc.). Mas - mais uma vez - estamos a falar do mesmo: alguém que está entre os objectivos/necessidades do protagonista e os objectivos/necessidades do jornalista.
Algumas actividades do assessor de imprensa:
- preparar materiais para serem divulgados pela comunicação social através do jornalista (preparados de acordo com as «regras» jornalísticas), seja em difusão colectiva seja em difusão seleccionada (exclusivos)
- mediar a necessidade dos jornalistas contactarem com os protagonistas (e viceversa);
- escolher a forma como o protagonista comunica com os jornalistas (em contactos directos, pessoais ou telefónicos/internet, em situações individuais ou colectivas; em contactos indirectos, via assessor ou atraves de documentos jornalisticamente tratados ou não);
- responder pelo protagonista (em nome deste ou como assessor de imprensa), definindo prioridades e gerindo a sua «agenda»;
- pensar e executar as estratégias de comunicação em função dos «hábitos» jornalísticos (adaptar a mensagem ao meio ou aos meios em concreto); os planos de comunicação (ou de assessoria de imprensa)
- estabelecer uma boa relação com os jornalistas e conhecer aqueles que - tematicamente - estabelecem uma relação profissional mais duradoura;
O assessor de imprensa pode ser contratado individualmente (geralmente a tempo inteiro) pela entidade/protagonista ou o serviço pode ser fornecido por uma empresa de relações públicas (provavelmente já não a tempo inteiro; conceito de outsourcing)
Questões ético-deontológicas na actividade do assessor de imprensa. Se é certo que há quem defenda que «ao contrário do que pensa muita gente responsável, incluindo jornalistas, a profissão de relações públicas - e a assessoria de imprensa - regem-se por códigos de conduta e os seus profissionais vinculam-se a comportamentos éticos escrutináveis tanto no interior como no exterior do grupo que partilha o ofício» (Oscar Mascarenhas, prefácio ao livro «A assessoria de imprensa nas relações públicas», de J. Martins Lampreia, Lisboa, Europa-América, 2ª edição, 1999, pág. 9), a verdade é que a assessoria de imprensa está associada a comportamentos eticamente reprováveis: o assessor mente, ouve-se muitas vezes; o assessor trabalha para quem lhe paga (e não é o jornalista/a opinião pública), o assessor manipula a realidade para conseguir mensagens favoráveis.
A existência de assessores de imprensa não depende da vontade dos jornalistas; mas se eles existem que sirvam para melhorar/facilitar a comunicação; do ponto de vista dos jornalistas, é desejável uma relação profissional saudável (próxima no contacto; crítica na análise dos conteúdos)
Objectivo para os alunos:
Desenvolver um texto (incluindo o recurso a alguns exemplos reais em Portugal ou no estrangeiro, resultado de pesquisas) sobre «a difícil relação entre jornalistas e assessores» (a partir do momento em que partilham o mesmo território, interesses divergentes resultam muitas vezes em conflitualidade), a partir desta pergunta a que devem responder: há razões para jornalistas e assessores se darem mal? ACT: Poderão, entre outros locais, encontrar exemplos aqui ou aqui.
