Aula 4
Sumário:
As relações públicas como uma ferramenta do marketing; a lógica de intermediação; as boas e as más relações públicas;
1) Sobre as ferramentas do marketing sugiro este texto (é obviamente uma generalização, como todas não muito rigorosa, mas retrata bem o espírito da coisa…) (Permito-me uma correcção: Quando o texto, no primeiro ponto, diz que é marketing directo, eu tenho uma perspectiva diferente: seria marketing directo se o promotor da coisa oferecesse uma parte do seu corpo para ela testar se a frase é verdadeira ou não. É que o marketing directo pressupõe uma oferta (promocional) para experimentar - como os bocadinhos de queijo no supermercado. Aliás, ainda no primeiro caso, a afirmação directa de determinada mensagem (qualidade…) é publicidade. Então o segundo é o quê? Assessoria de imprensa… como veremos adiante!)
2) A lógica da intermediação:
Como vimos na aula anterior:
- alteramos a forma como normalmente comunicamos quando queremos alcançar determinado objectivo/necessidade;
- o produto não se vende sozinho, porque há concorrência e é preciso lutar pelo espaço mediático; podem não saber que existe)
ISTO É MARKETING;
Mas se é preciso dizer ao(s) outro(s) quem somos, o que fazemos, o que queremos (de diversas formas – são as diferentes armas a que o marketing pode recorrer), essas armas podem dividir-se em dois tipos: as que implicam intermediação e as directas (sendo que quanto mais directa for a forma como se promove pior, mais desconfiança gera, quanto mais o destinatário perceber que é o próprio a promover-se pior; um intermediário vai introduzir credibilidade – todas as empresas procuram o “boca a boca”, são outros a dize-lo); Outros exemplos de soluções encontradas com recurso à intermediação: o “product placement” (telenovelas e filmes) ou a “publireportagem” (nos jornais; muitas vezes não identificada); também suplementos comerciais que aparecem no interior dos jornais, mas realizados sem os mesmos critérios; as Relações Públicas são uma forma de promover o produto/pessoa/instituição com recurso a intermediação, não são uma forma directa, mas ajudam a aumentar as vendas ou o poder de alguém (são as que mais nos interessam porque pressupõem, em muitas situações, um contacto com o jornalista); ajudam a promover uma imagem/interesse positivo e/ou a minimizar as mensagens negativas;
3) As relações públicas -
RP são (genericamente) as técnicas de comunicação que podem permitir criar e manter uma imagem favorável entre uma empresa/instituição/pessoa e o seu público (o que se revelará em aumento de vendas ou notoriedade) ;
- As RP também têm diversas ferramentas a que recorrem:
- criação de eventos (Superbock/SuperRock);
- criação de uma imagem global da empresa (assinatura, logótipo, cor, etc.)
- pesquisas de opinião (sondagens);
- assessoria de imprensa/conselho em comunicação (produzir materiais informativos, responder pela empresa, falar com jornalistas);
- planear estratégias de comunicação (comunicação global);
- patrocínios e mecenato;
- comunicação de crise;
- lobi (lobby)
- relações ou comunicação interna (publico interno)
- o marketing politico (dos cartazes aos discursos, do saco plástico…)
Acontece que o sector, não só em Portugal, teve uma associação negativa (por falta de enquadramento legal e falta de formação dos profissionais), a que ainda hoje se assiste: rp de uma discoteca; LAMPREIA, “Tecnicas de Comunicação” pag 94 (“No nosso caso, esta profissão foi durante muito tempo o refugio de certos espécimes sociais, tais como as chamadas ‘senhoras de boas famílias’ que desejavam ocupar algumas horas de ócio num trabalho que não fosse muito pesado, ou antigas estrelas do desporto e reformados de altos cargos públicos e altas patentes das forças armadas na reserva que, por pertencerem aos quadros de uma empresa, supostamente ajudam a realçar o prestígio desta. Da mesma forma, familiares e protegidos dos quadros superiores que conseguiam integrar-se na firma sem terem uma especialização eram quase invariavelmente encaminhados para o departamento de relações públicas (…) a tal ponto que o termo ‘relações públicas’ esteve em risco de se tornar pejorativo, designando o empregado sem qualificações, o tapa-buracos da empresa”.); presentemente, ainda que não haja a devida regulamentação legal, assiste-se a uma recuperação da credibilidade; mas não total. Por isso várias entidades optaram por mudar o nome dessa actividade, chamando-lhe relações (por falta de enquadramento legal e falta de formação dos profissionais), a que ainda hoje se assiste: rp de uma discoteca; LAMPREIA, “Tecnicas de Comunicação” pag 94 (“”.); presentemente, ainda que não haja a devida regulamentação legal, assiste-se a uma recuperação da credibilidade; mas não total. relações exteriores, departamento de informação; empresas de comunicação, de consultoria em comunicação, de marketing institucional, mas poucas de relações públicas (associadas a festas, copos, social, protocolo); comunicação empresarial; estamos a falar da mesma coisa, com nomes diferentes. É tudo relações públicas, travestido;
-Leituras recomendadas sobre a evolução das relações públicas: J. Martins Lampreia “Técnicas de Comunicação” pag 89 - 95
Objectivo para os alunos:
As boas e as más utilizações da expressão relações públicas (devem os alunos construir os seus textos utilizando aquilo que considerem ser utilizações correctas e incorrectas da expressão relações públicas, à luz do que foi enunciado na aula)
